quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Repensando o PT

Pessoal,

Passado alguns dias das eleições municipais em que o PT sofreu um grande baque, vem na calada da noite a aprovação da desobrigação da Petrobrás como exploradora do Pré-Sal. Isso em um ano que a democracia foi golpeada com a aprovação do processo de impeachment e posteriormente pela aprovação do impeachment no senado. 

Há uma frase célebre, atribuída à Einstein que diz:

"Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes."

No caso do PT, a estratégia de priorizar cargos executivos, estratégia que deu certo em 3 eleições, acabou sendo o grande problema na reeleição de Dilma e na condução de um projeto de governo aprovado e escolhido nas urnas. 

Onde erramos? 

Tenho dito correntemente no Twitter que um dos erros do PT foi ter sido republicano demais com quem não merecia. Vide os casos de escolhas do PGR e a independência da PF. Ocorre porém que acredito que ter sido republicano foi uma escolha certa. Tentou-se mostrar que é possível ter um país republicano e não uma republiqueta. 

Erramos em acreditar que a direita aceitaria a quarta derrota nas urnas, como aceitamos todas as que tivemos. Ledo engano. Eles precisavam voltar ao poder. O candidato derrotado nas urnas em 2014 deixou isso claro em entrevistas e declarações logo após a definição da reeleição de Dilma. 

Acreditamos que a classe médias aceitaria a condução de uma política social voltada aos mais necessitados e às minorias, em um momento de crise e de recessão. Lembro aqui um ditado que diz  - Farinha pouca, meu pirão primeiro. 

Vale um registro que esta crise e recessão em muito foram impulsionadas por um trabalho da oposição no congresso, barrando várias medidas propostas pelo governo para minimizar os efeitos de uma crise econômica mundial. A oposição jogou no quanto pior melhor. 

Reparem que no texto, cito duas ocasiões em que a posição do congresso foi definitiva para acabar com o projeto de governo (impeachment e barramento das medidas) e uma terceira ocasião em que os recursos naturais foram entregues à iniciativa privada (Pré-sal).

Já faz tempo que venho alertando para um erro estratégico do PT que é o de focar sua campanha nos cargos executivos, deixando a campanha para os cargos legislativos na "mão" dos próprios candidatos e suas bases.  Pense, se o PT e seu real parceiro o PCdoB tivessem bancadas maiores e mais representativas na câmara, não teria havido o Impeachment, não teriam barrado as propostas de Dilma e nem aprovado a privatização do pré-sal. 

Diante deste quadro, fica claro que o real poder político do país se concentra no legislativo, mesmo em esferas estaduais ou municipais. Vejam o caso do Estado de São Paulo, onde há vários escândalos referentes ao metrô, à CPTM e também à merenda escolar e nada acontece com o governador pois o mesmo tem uma base sólida na Assembléia legislativa. 

Sendo assim, acredito que o PT e o PCdoB deveriam se concentrar para, em 2018, construir uma bancada forte. Para isso tem um jeito! A solução é a candidatura das principais lideranças do partido e lançá-los, cada um em seu estado, para deputado federal. 

Não há dúvida que Dilma seria eleita, com um número absurdo e expressivo de votos, a deputada federal pelo Rio Grande do Sul. O mesmo aconteceria com Jaques Wagner na Bahia, Patrus Ananias em Minas, isso sem falar em uma bancada paulista formada por Lula, Haddad e Padilha. Pelo PCdoB, teríamos como candidatos Orlando Silva, Carina Vitral, Aldo Rebelo dentre outros. Além de serem eleitos, pelo coeficiente eleitoral carregariam, cada um desses, mais uns 4 ou 5 deputados.

Construindo uma bancada forte, pouco importa quem se elege para o cargo executivo, foi isso que vimos no último ano. 

Essa é a minha sugestão, como militante, para o PT na questão eleitoral.

Internamente, urge a destituição da atual direção e a formação de uma nova direção mais alinhada com as ruas, com as bases e, principalmente, com os jovens, mas isso já é tema para outro texto. Aguardem que ele sairá em breve! 

Um abraço!


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